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Maçonaria e a Águia Bicéfala

A Maçonaria e a Águia Bicéfala.

A Águia Bicéfala usada pela maçonaria é uma variação da imagem descrita em documentos achados cerca de 3000 a.C.

A Maçonaria, também conhecida como Arte Real, é uma Ordem antiga que promulga seu sistema de moral através de alegorias, sinais e símbolos. Alguns símbolos adquiriram tal vigor que até o não iniciado sabe que o mesmo refere-se à maçonaria. O esquadro e o compasso são exemplos. Pessoas com um pouco de cultura os reconhecem como símbolo da maçonaria, cujos significados são conhecidos dos iniciados. No entanto a águia bicéfala é um símbolo maçônico pouco conhecido do público em geral, com detalhes pertinentes à Ordem e a seus graus superiores de instrução e conhecimento.

A citação de W.J. Chetwode Crawley estampada no Freemasons’ Guide and Compendium, de Bernard E. Jones, contem o seguinte texto, similar ao de inúmeras enciclopédias, que diz: “nas fundações de um templo construído cerca de 3000 AC, cerca de 2000 anos antes da construção do Templo de Salomão, foram encontradas duas placas de Terracota contendo inscrições as quais detalhavam como a construção havia sido ordenada e iniciada. Estas placas foram ali depositadas quando do lançamento da pedra fundamental do templo por Gudea, governador de Lagash na Babilônia. As inscrições dos cilindros impressas em placa de Terracota incluíam um esboço de um” pássaro da tormenta “o qual era representado por uma águia com duas cabeças, hoje usada como símbolo de um dos ritos maçônicos, o Rito Escocês Antigo e Aceito. O cilindro foi encontrado perto do sítio onde estava o templo e ali foi também encontrada uma estátua de Gudea , …” As enciclopédias maçônicas de Coil e Mackey apresentam um texto semelhante e provavelmente foram usados como fonte por Bernard Jones. A cidade de Lagash esta situada ao sudoeste da Babilônia (que hoje é Bagdá, capital do Iraque), entre os rios Tigre e Eufrates perto da cidade de Shatra, no Iraque, ela era um antigo centro de artes, de literatura e militar, com imensa força política. Dos sumerianos este símbolo passou para o povo de Akkad e depois por muitos povos e nações.

Albert Merz afirma em artigo publicado no New Age (Scottish Rite Journal) de março de 1959 que O Sacro Império Romano, em 1414 a.C., tinha a águia bicéfala em seus selos, ela simbolizava a unidade e universalidade do Império.    Também se sabe que Marius, Cônsul Romano, em 102 a.C. por decreto indicou a águia bicéfala como símbolo da Roma Imperial.

A águia bicéfala aparece nos livros de heráldica e isso se deve, provavelmente,  como resultado da presença dos cruzados no Oriente, trazida como símbolo para os Imperadores do Oriente e do Ocidente, perdurando ate os governos dos  Habsburgos e dos Romanovs, em cujas moedas ela aparece sistematicamente, comportamento seguindo pela maioria das “Cidades Livres da Europa”, principalmente as da Alemanha, e como emblema no Império Oriental da união de Bizâncio com Consup_cons_g33_rep_fed_brasilstantino. É provável que a águia bicéfala tenha sido usada como símbolo maçônico desde o século 12, embora não haja documentação deste fato.

Existem evidências que indicam que a águia bicéfala foi usada pela maçonaria em 1758, após a criação do Conselho de Imperadores do Oriente e do Ocidente, em Paris. Era parte do Rito de Perfeição, do antigo Rito dos Vinte e Cinco Graus, evoluindo em grande parte para o sistema Escocês. Não existe duvida relativa ao uso da águia bicéfala pelo Supremo Conselho do Grau 33 para a Jurisdição Sul dos Estados Unidos, desde 1801.

Como sucessores do Conselho de Imperadores do Ocidente e Oriente, surgiram os vários Supremos Conselhos do Grau 33 em todas as regiões do mundo, que herdaram a insígnia do emblema pessoal de Frederico, o Grande, imperador da Prússia, considerado como o primeiro Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito, conferindo ao Rito o direito de usá-la em 1786.

Os Supremos Conselhos que têm laços com a grande Loja da Inglaterra têm em seus selos a águia com as asas para cima, enquanto os supremos conselhos que têm laços com a Grande Loja da França têm em seus selos a águia com as asas voltadas para baixo. Este fato da águia estar representada com as asas abertas para cima ou para baixo é uma questão diretamente relacionada ao desenho do selo por um Supremo Conselho em particular, como resultante do gosto artístico de cada povo, preferindo uns o estilo clássico copiando a natureza enquanto outros dão preferência à representação marcial. Como vimos acima a Águia Bicéfala de Lagash é o mais antigo emblema do mundo e nenhuma outra figura pode gabar-se desta antigüidade.

O símbolo do Rito Escocês Antigo e Aceito é a Águia Bicéfala de Lagash e tem suas asas abertas e encimada pela coroa da Prússia. Suas garras estão pousadas em uma espada desembainhada que tem uma fita como ornamento serpenteando-a desde seu punho até a extremidade da lamina contendo a divisa “DEUS MEUMQUE JUS” que significa “Deus é o meu direito”. As penas das asas representam os graus assim como as penas da cauda, a espada, as garras, enfim, todo desenho tem significado oculto, conhecido pelos maçons.

A maçonaria tem como característica o uso de símbolos e alegorias para a transmissão de seus ensinamentos e a Águia Bicéfala representa uma das tantas formas de transmitir conhecimento e inspiração aos membros da Arte Real.

 

  1 Comment

  1. Filipe Pires Bagestan   •  

    Estou fascinado com as coisas que li. Gostaria de saber mais sobre as literaturas confiáveis que contam a verdadeira história sobre a maçonaria. Preciso aprender e entender mais sobre a maçonaria, pois sei que posso aprender muito sobre a historia da humanidade e elevar meu conhecimento. Tenho muitas duvidas sobre a maçonaria e confesso que as vezes tenho certo medo de me decepcionar com o que vou saber. Mas mesmo assim tenho muita curiosidade em aprender. Acho que é uma forma de superar minhas angústias e meus sofrimentos e entender por que tenho tanto interesse em aprender sobre a maçonaria.

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