simbolo7 G

A Maçonaria e a Dualidade Humana

A Maçonaria e a Dualidade Humana

 Comentários sobre o texto de OSHO “Para despertar el león en tu interior…”

O texto em questão, obtido através da Internet, pretende examinar a dualidade existente entre Personalidade e Individualidade e a força interior desta, de conhecimento antigo nas civilizações orientais e que começou a ser identificado pelo Ocidente de maneira secreta, como toda a tradição das ciências ocultas. OSHO, claramente, coloca seu ponto de vista bastante elucidativo, comparando-a a um leão, por suas características equivalentes às qualidades desse animal.

A menos que abandones tu personalidad, no serás capaz de encontrar tu individualidad. La individualidad la proporciona la existencia; la personalidad es impuesta por la sociedad. La personalidad es una conveniencia social.

No momento em que decidimos estar encarnados neste Plano, decidimos também pela dualidade. O Uno só pode se expressar no Duo; o Pai se expressa no Filho. A dualidade é necessária para que a Individualidade tenha um campo para agir, através da Personalidade.

Sempre estivemos preocupados com o desenvolvimento da Personalidade, através de cursos, através de ensino, através de leituras, do convívio com o outro. Temos terapias, tratamentos para corrigir as distorções de personalidade, quando estas ocorrem. Sem a persona, a máscara que os antigos gregos usavam em suas representações teatrais, não poderemos representar os papéis que a vida nos exige, papéis de filhos, de alunos, de profissionais, de chefes de família. Estamos tão acostumados a isso, que chegamos ter fantasias – roupas – próprias para cada ocasião: é inconcebível que nos apresentemos em uma reunião maçônica, por exemplo, com as mesmas roupas com que praticamos nosso esporte ou com que vamos a uma festa.

A personalidade é o dom da alma que nos permite interagir com o mundo. Para nós é natural que sejamos homenageados, pendurando nossa foto na galeria dos ex-veneráveis, ou que recebamos a medalha de bons serviços prestados à Ordem. Tudo isso é apenas um culto à Personalidade.

A Individualidade permanece oculta em nosso Templo Interno, apenas observando o que se passa lá fora. Não concorre com a Personalidade, porque tem seu lugar próprio e bem distinto dos demais. A Individualidade é o cerne  de nosso Ser, é a faísca divina que possuímos e que deve ser entregue, no final dos tempos, à sua origem, adicionada de toda a Sabedoria que vem buscar, por sua decisão, neste e, seguramente, em outros planos da existência. A Individualidade tem contato direto com nosso Mestre Interno, com quem se aconselha, secretamente, em nosso benefício, mas que não interfere em nossa história, assim, livremente, sem ser procurada.

Encontrar-se é descobrir, conscientemente, a Individualidade, manter um contato amoroso e permanente com ela e esse é o objetivo primeiro dos exercícios espirituais que se podem chamar de Raja Ioga, Caminhada Interna ou qualquer outro nome.

La sociedad no puede tolerar la individualidad, porque la individualidad no es gregaria como una oveja.

 La individualidad tiene la cualidad del león; el león se mueve solo. La oveja está siempre con la multitud; esperando que al permanecer entre la multitud se sentirá a gusto: al estar en la multitud uno se siente protegido, seguro. Si alguien ataca, existe la posibilidad de que dentro de una multitud puedas salvarte. Pero estando solo…

A Individualidade nos deixa cada vez mais sós, mais separados do restante da Sociedade, porque adquirimos a consciência de nós mesmos, daí a consciência de nossa real importância. Enquanto inconscientes, temos prazer em liderar, nos sentimos orgulhosos do que a Sociedade nos ensinou a chamar de nossas vitórias, nossas conquistas. Desejamos ter mais, porque ter é ser, segundo as regras da persona, e até criamos filosofias, religiões, sistemas, que justifiquem nossas ambições. Desenvolvemos o gosto do poder exercido sobre os demais, o gosto pelo mando, o gosto pelos cargos que chamamos importantes. Enfim, nos encontramos adormecidos em um mundo de ilusões, de maya! Não queremos nos arriscar a sair dessa ilusão, porque é cômodo, conhecido, não exige esforços. Não há riscos, porque todo o rebanho se comporta dessa forma. Mas, se estamos despertos, vemos nosso semelhante como semelhante e não como iguais! Nos surpreendemos com a falta de originalidade, com a mesmice do rebanho e surpreendemos o rebanho antecipando, para nós mesmos, suas reações, seus atos. A Individualidade conhece a totalidade, o holos. A Personalidade só conhece o que os cinco sentidos a permite conhecer.

Cada uno de nosotros nace como un león, pero la sociedad continúa condicionándote, programando tu mente como una oveja. Esto te da una personalidad, una personalidad agradable, muy simpática, conveniente, muy obediente. La sociedad quiere esclavos, no quiere gente que esté totalmente comprometida con la libertad. La sociedad quiere esclavos, porque todos los intereses creados requieren obediencia.

Assumir-se como Individualidade requer certa dose de coragem, ao mesmo tempo que requer muita humildade. Coragem é a ação que vem do coração, portanto, não pode deixar de ser humilde, se é real. Coragem para ser diferente; humildade para ser consciente da diferença e não sentir-se superior ou melhor que os demais. Semelhantes, sim, mas não iguais, ou seja, cada um de nós é basicamente diferente dos demais, como está provado pelas impressões digitais, ou, modernamente, pelas características dos gens. Não há dois iguais, porque não há duas individualidades iguais, ainda que tenham todas a mesma origem divina comum! Ter um comportamento simpático, ter uma personalidade agradável não significa, de maneira alguma, tornar-se passivo, neutro ou escravo, apenas estar integrado em um grupo social, e o desejo da Maçonaria é que esse grupo social seja toda a Humanidade, afinal, não é isto que o Chanceler repete, em sua fala, em todas as nossas Sessões? Ter uma personalidade agradável, consciente de nossa individualidade é apenas ser polidos, ser educados, civilizados. Nosso leão interno não precisa e não deve ser um animal agressivo, perigoso aos demais animais – latu sensu. Esta docilidade, essa paz interna é o objetivo do crescimento interior, do desenvolvimento das qualidades de amor incondicional de que falam todos os sistemas religiosos e filosóficos.

Hay una antigua anécdota Zen sobre un león que fue criado por una oveja y creyó que era una oveja hasta que lo capturó un viejo león y lo llevó a un pozo donde le enseñó su propia imagen reflejada.

Aqui está a função do Guru, do Mestre, ou do Cameleiro. Conduzir o postulante até esse lago de águas claras e tranqüilas, em que possa ver sua imagem refletida e encontrar-se. Na Caminhada Interna as coisas se dão mais ou menos dessa forma. Não há possibilidade de estar desperto àquele que não tiver encontrado sua Individualidade; não há possibilidade de fazer novos progressos aquele que não ergueu templos à virtude e cavou masmorras ao vício. Em geral, somos criados por ovelhas, politicamente corretas e dóceis à sua maneira. A evolução da humanidade a fez questionar, de novas formas, os antigos paradigmas e, lentamente, com o passar dos séculos, cada um deles vai dando lugar a novos paradigmas, mais de acordo com a nova sociedade que desabrocha. É flagrante, nos últimos séculos, a substituição da exaltação da força muscular pela exaltação da inteligência; é flagrante o crescente repúdio pelas guerras, pelas soluções de força, pelos conceitos de nacionalismo e de pátria, pela poluição e destruição do meio-ambiente. A humanidade, como um todo, questiona e não tolera mais os paradigmas que regeram o início do século XX. Embora este fenômeno não seja ainda universal, e siga as leis da dialética, mais e mais se observa, através do acesso imediato à imprensa, à comunicação instantânea e mundial, o fluxo da opinião pública que se move em direção ao bem-comum, ao bom-senso e à harmonia e à paz. Isto é erguer templos à virtude e cavar masmorras ao vício!

Muchos de nosotros somos como este león: la imagen que tenemos de nosotros mismos no viene de nuestra experiencia directa, sino de las opiniones de otros.

O reconhecimento da Individualidade veio, seguramente, das pesquisas realizadas no Oriente, ao longo do século XIX e desenvolvidas no século passado por instituições como a Maçonaria, os Rosacruzes, os Alquimistas e toda a sorte de estudiosos daquilo que se consagrou chamar de ciência oculta. O conhecimento de nossa Individualidade não é intelectual, mas vivencial, experimental. Não se pode apenas ler ou conversar sobre essas coisas, deixa-las somente no plano mental; o resultado é nulo, o esforço infrutífero. O contato com a Individualidade é experimental e necessita o conhecimento de técnicas de interiorização, de concentração e de meditação. Meditar não requer esforço, ao contrário, requer relaxamento, postura de imobilização, de modo que, com a cessação dos movimentos físicos, também os movimentos mentais comecem a cessar, dando espaço ao Todo. É como colocar água limpa em um balde repleto de água suja: com a persistência do fluxo, a água limpa termina por expulsar a sujeira e toma conta do balde! A experiência da Individualidade conduz a um caminho sem volta – a Iniciação.

Una “personalidad” impuesta desde afuera reemplaza la individualidad que pudo haber crecido interiormente. Nos convertimos simplemente en otra oveja en el rebaño, incapaces de movernos libremente e inconscientes de nuestra propia y verdadera identidad.

 Se a iniciação foi real, verdadeira, o conhecimento agregado é irreversível. Não apenas o teatro com que a Ordem nos faz vivenciar o fato, mas a marca indelével que fica em nossos corações após termos passado pela experiência. Também nos planos mais sutís, é fundamental que se viva o fato e assim, a Personalidade começa a adaptar-se à sua verdadeira  essência, unificando-se em um salto de expressão no ternário. O Uno, realizado no Duo, passa a expressar-se no Três; o Ponto, que cria a Reta, expressa-se agora no Plano; o Aprendiz, elevado a Companheiro de nossos estudos, expressa-se agora na Maestria!

Es el momento de echar una mirada a tu propio reflejo en el pozo y dar un paso para salir de los condicionamientos que te han sido impuestos por otros como creencias respecto a ti mismo.

O Mestre é senhor de seus segredos e sabe como unir a Personalidade com a Individualidade. A sabedoria exaltada no grau de Mestre, o permite dominar os segredos ocultos da vida e da morte, integrando aquilo que veio buscar neste Plano e conduzindo o verdadeiro Ser ao Plano do Oriente Eterno.

O texto do OSHO conclui com uma conclamação bem maçônica neste grau:

Baila, corre, muévete, salta: haz lo que sea necesario para

despertar el león en tu interior.

 Osho

Texto gentilmente cedido pelo Ir.: Luiz Antônio Rebouças dos Santos, Grau 33, REAA, GLMERGS, Porto Alegre, Brasil.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>