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A Maçonaria e o Dia do Maçom

Dia 20 de agosto é o Dia do Maçom no Brasil

Segundo o escritor José Castellani em “Do Pó dos Arquivos”: “A Independência do Brasil era a meta específica dos fundadores do Grande Oriente e logo todos eles dedicaram- -se a consegui-la, embora o processo emancipador, nos meios maçônicos já tivesse sido iniciado antes de 17 de junho de 1822. Na realidade, o primeiro passo oficial dos Maçons, nesse sentido, foi o Fico, de 9 de janeiro, o qual representou uma desobediência aos decretos 124 e 125, emanados das Cortes Gerais portuguesas e que exigiam o imediato retorno do príncipe a Portugal, […].”

O Grande Oriente do Brasil (Brazílico, na época) foi fundado em 17 de junho 1822, tendo como líderes José Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo, com a nítida intenção de fortalecer o movimento pela independência do Brasil. Havia duas correntes de pensamento na maçonaria, uma com Bonifácio, adepto da Monarquia e a outra com Ledo, adepto da independência republicana.

O Grande Oriente do Brasil foi constituído pela união de três Lojas maçônicas do Rio de Janeiro: a Comércio e Artes na Idade do Ouro, a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói, resultantes da divisão da primeira.

Acriação do Grande Oriente do Brasilestá ligada à Independência do Brasil, como afirmam autores não maçons, tais como, Rubim Santos Leão De Aquino, em “Sociedade Brasileira: Uma história através dos movimentos sociais”, Francisco Adolfo Varnhagem, em “História da Independência do Brasil”, Pedro Calmom em “História Social do Brasil” e Gustavo Barroso, em seu livro “História Secreta do Brasil”. Todos citam claramente a ação da Maçonaria na Independência como um acontecimento histórico. Do mesmo teor são as afirmações de Sérgio Corrêa da Costa sobre a importância e a influência da maçonaria na vida de D. Pedro I.

O Venerável Mestre da Loja “Fraternidade de Santos”, Irmão Antenor de Campos Moura, em setembro de 1918, propôs ao Grande Oriente do Brasil a instituição do “Dia do Maçom”, que seria comemorado não só como um dia de festa, mas também como um dia de beneficência e de caridade. A proposta era sem data marcada, que seria escolhida futuramente, a data poderia ser a data da aprovação do projeto ou outra qualquer.

Posteriormente foi fixada a data de 20 de agosto, sendo aceita e comemorada por todos. Em 1957 o Irmão Osvaldo Teixeira, da Loja “Acácia Itajaiense” de Santa Catarina, encaminhou uma proposta à reunião da Confederação das Grandes Lojas, realizada em Belém, em junho daquele ano, sugerindo o dia 20 de agosto como Dia do Maçom “por ter sido a data da proclamação da independência dentro de um templo maçônico”. A data foi aceita pela Assembléia da Confederação (que hoje é a CMSB), mesmo se sabendo hoje da possível divergência da data, o restante é verdadeiro.

A explicação para a determinação do dia 20 de agosto baseou-se na histórica Sessão conjunta das Lojas “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, no Rio de Janeiro, aonde o Ir∴ Gonçalves Ledo pronunciara um discurso inflamado, fazendo sentir a necessidade de proclamar-se a Independência do Brasil, cuja proposição foi aprovada pelos presentes e registrada em ata no 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, interpretado como se fosse o dia 20 de agosto. Se traduzido para o calendário equinocial cujo ano começa em 21 de março, se perceberia um equívoco cometido por José Maria da Silva Paranhos (Visconde do Rio Branco e Grão Mestre do GOB) ao interpretar incorretamente as datações maçônicas. A relação entre o calendário oficial (Era Vulgar) e o cômputo dos dias adotado pela antiga Maçonaria (Anno Lucis) foi desconsiderada pelo Visconde. O sexto mês da Verdadeira Luz, a contar de Nissan, é Elal (Os meses do calendário judaico são I Nissan, II Iyar, III Sivan, IV Tamuz, V Ab, VI Elal, VII Tisri, VIII Cheshvan,   IX Kislêv,   X Tebeth,   XI Shebat,   XII Adar). Já o ano 5822 é a soma de 4000 Anno Lucis ao ano civil 1822. Nessa célebre sessão de 9 de setembro de 1822 (vigésimo dia do 6º mês da verdadeira luz de 5822) os Irmãos do Grande Oriente, sem terem tomado conhecimento do que acontecera em São Paulo dois dias antes (7 de setembro), atenderam à moção do Irmão Joaquim Gonçalves Ledo (Primeiro Vigilante, empunhando o primeiro malhete na ausência do Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva) e proclamaram, em Loja, a Independência, cuja legalização iriam submeter e atribuir a D. Pedro.

O dia do maçom é uma efeméride nacional consagrada e, como tal, deve ser comemorada, pois a Maçonaria em muito contribuiu para a efetiva emancipação político-social do Brasil e os Maçons, de um modo geral, devem reverenciar seus membros responsáveis pelas ideias e as efetivas ações, mas sempre sabedores da verdade histórica.

Esta data consta do art.179 da Constituição do Grande Oriente do Brasil e do art. 275 do Regulamento, ordenando a comemoração da data no dia 20 de agosto.

Desde 1923, encontra-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, a Certidão das Atas do Grande Oriente do Brasil, de 1822, com o título DOCUMENTOS PARA A HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA, VOLUME I, LISBOA – RIO DE JANEIRO, 1923 – A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA. Neste documento, grafa quando se refere à “Ata da Sessão de 20 do 6º mês Ano 1822”, a data correspondente no calendário Gregoriano como “9 de setembro”.

Outra versão dos fatos, constando realmente o dia 20 de agosto, é que cópia da ata dessa reunião foi encaminhada imediatamente a D. Pedro I, que se encontrava viajando, e ele recebeu tal decisão às margens do Riacho do Ipiranga em 7 de setembro, ocasião que o Imperador proclamou a Independência do Brasil por encontrar respaldo e mesmo determinação da maçonaria brasileira. Mesmo se o dia da reunião for 9 de setembro D. Pedro I sabia que a maçonaria o estaria apoiando, isto significava que a maior força política brasileira da época lhe daria respaldo para a emancipação do Brasil.

De qualquer forma a data de 20 de agosto destaca a luta permanente da instituição maçônica em favor de valores fundamentais da sociedade, como a liberdade. É o marco do início da construção do processo democrático do país, pois foram os maçons brasileiros que trouxeram para o Brasil o grito da liberdade.

Na independência do Brasil dois grandes nomes da Maçonaria brasileira influenciaram direta e pessoalmente o Imperador D. Pedro I: José Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo. Ambos podem ser considerados próceres de nossa Independência, ainda que entre eles houvesse grande divergência de ideais (um monarquista e outro republicano, o que é perfeitamente aceito e estimulado dentro dos Templos maçônicos por intermédio da tolerância, desde que obedecidos os landmarks da Maçonaria).

Pelos fatos acima relatados é possível afirmar que a independência do Brasil nasceu do sonho e do ideal de maçons. A história da maçonaria universal e da Maçonaria no Brasil é repleta de episódios, de compromisso com a Pátria, com a liberdade e com a fraternidade. No Brasil a Maçonaria está presente em praticamente todas as cidades brasileiras, através de lojas e obreiros comprometidos com o bem-estar da comunidade.

Honório Sampaio Menezes, 33º, REAA, Loja Baden-Powell 185, GLMERGS, Porto Alegre, RS, Brasil.

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