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A Maçonaria e o Simbolismo dos seus Mistérios

A Maçonaria e o Simbolismo dos seus Mistérios

Do ponto de vista de MacNulty, as relíquias das culturas ancestrais que haviam praticado os Antigos Mistérios foram encontradas pelos maçons entre os séculos XVII e XIX. Estes Maçons de imediato reconheceram nelas semelhanças entre a sua Ordem e estas tradições ancestrais. Os mesmos símbolos, alguns encontrados na escada do Templo de Mithras, são partilhados pela Maçonaria, incentivando aqueles pensam existir uma ligação intrínseca com estes rituais ancestrais. Até o momento não se encontrou provas do modo como esses ensinamentos sobreviveram à Santa Inquisição durante a Idade Média, mesmo se observando uma forte ligação, de modo genérico, o Ofício da Maçonaria e os Antigos Mistérios (W. Kirk MacNulty, Freemasonry. A Journey through Ritual and Symbol). O escritor Albert Pike diz que a Maçonaria oculta os seus segredos de todos, à exceção dos seus seguidores e sábios, ou os Eleitos, que recebem a Luz(Albert Pike, Morals and Dogma). Albert Pike (1809-91) foi General da Confederação durante a Guerra Civil Americana um dos responsáveis pela estruturação da forma moderna do Rito Escocês Antigo e Aceito. Era rico, educado, e possuía uma grande biblioteca, presidiu o Supremo Conselho do REAA de 1859 até 1891, data da sua morte. Escreveu diversos livros de História, Filosofia e Maçonaria. Segundo Nicosia “…O Rito é organizado como uma pirâmide, … no topo da qual uma ‘misteriosa escada’ de sete degraus é colocada, semelhante ao caminho de Eraclitus, que sobe e desce, ..  A imagem da pirâmide remete-nos de imediato para os sepulcros egípcios e à viagem de desprendimento do corpo, subindo, que constitui o objetivo da Iniciação. Simultaneamente, sintetiza de uma forma maravilhosa a sedimentação de tradições que o Rito provocou…” (Maurizio Nicosia, The Sepulchre of Osiris).

O professor do Royal College of Art chamdo Comford estudoupinturas de antigos mestres e constatou que as obras eram perfeitamente geométricas e/ou subdivisões aritméticas do retângulo. Havia dois tipos de sistemas básicos, um era baseado na crença da Criaçao, descrita por Platão, publicado por Alberti em “Ten books on Achitecture” em 1485, em Florença. Este sistema utiliza o cálculo e a construção com instrumentos e teve grande utilização na Alta Renascença e no período seguinte, este sistema separava a arte e a arquitetura das formas manuais e antigas da maçonaria na idade Média, e também as associava à escola humanística. Além disso, este sistema utilizava um sistema numérico que era uma espécie de invocação do Divino enquanto a construção ou pintura se tornaram um ensaio microcósmico do ato primário de criação.

O professor Conford afirma que o outro sistema, o maçônico-geométrico, era incomparavelmente o mais antigo dos dois sistemas, parecendo de fato ser conhecido pelos antigos egípcios e à própria cultura megalítica. Este sistema sobreviveu rodeado de segredos do Ofício (ou até de culto), ao tempo de Alberti, e, subsequentemente, desapareceu sem deixar vestígios (Henry Lincoln, The Holy Place).

Naquela época quem seguisse o Caminho do Artífice teria de, obrigatoriamente, lembrar sempre que estava construindo o templo de Deus. Construía um edifício com a consciência que ele próprio era uma pedra individual e única. Com o tempo, cada ser humano polirá a sua pedra e a colocará no Templo, e então o Templo estará completo: Deus contemplará Deus no Espelho da Existência e existirá então, como no Início, um único Deus (W.Kirk MacNulty. The Way of the Craftsman). Os antigos mistérios não desapareceram quando o Cristianismo se tornou a religião mais poderosa do mundo. O Grande Pan não deixou de existir, e a Maçonaria é a prova da usa sobrevivência. Os Mistérios pré-cristãos assumiram, simplesmente, o simbolismo da nova fé, perpetuando por meios dos seus símbolos e alegorias as mesmas verdades que possuídas pelos sábios desde o princípio do mundo. Não há, portanto, uma verdadeira explicação para o fato de símbolos cristãos encerrarem em si o que é escondido pela filosofia pagã. Sem as misteriosas chaves transportadas pelos líderes dos cultos egípcios, brâmane e persa, os portais da Sabedoria não poderiam ser abertos (Manly P. Hall. Masonic, Hermetic, Quabbalistic & Rosicrucian Symbolical Philosophy).

Em Timaeus, um diálogo que Platão escreveu, onde são falantes Sócrates, Timeu de Locros, Hermócrates e Crítias, aparece a primeira alusão ao Criador como “Arquiteto do Universo”. O Criador, em Timaeus, é chamado “tekton”, ou “mestre construtor”. “Arche-tekton” significa “mestre artífice” ou “mestre construtor”, para Platão o “arche-tekton” traçou o cosmos por meio da geometria (Baigent & Leigh. The Temple and the Lodge).

A Maçonaria requer que os seus candidatos confirmem sua crença em Deus, sem exigir identificar o mesmo, deixando a religião e sua prática ao indivíduo Maçom, não exatamente a religião cristã. Assim, é possível que homens de todas as religiões possam ter acesso ao estudo dos princípios morais e filosóficos da Maçonaria (W.Kirk MacNulty. Freemasonry A journey through Ritual and Symbol).

Na Maçonaria os símbolos e o simbolismo antigos foram mantidos através dos tempos e exercem a finalidade de elevar moral e espiritualmente os maçons. A simbologia, sem significado para o leigo, representa fonte inesgotável de interpretação filosófica para o homem iniciado, este manterá os segredos desses significados dentro de um sistema que se transmite de geração em geração desde o início dos tempos.

Honório Sampaio Menezes, 33º, REAA, Loja Baden-Powell 185, GLMERGS, Porto Alegre, RS, Brasil

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