A Maçonaria Operativa (Antiga)

A Maçonaria Antiga (Operativa)

A época da Maçonaria de Transição se situa entre os séculos XVI e XVIII, período que a Maçonaria Operativa (formada por pedreiros) existia ao mesmo tempo em que eram admitidos maçons não pedreiros (maçonaria moderna, especulativa). A primeira se inicia no século X com o Rei Athelstan e a segunda no século XVIII com a fundação da Grande Loja de Londres.

Os maçons operativos foram os mestres e os operários construtores da Idade Média, os verdadeiros artistas que ergueram as catedrais românicas e góticas, os grandes castelos e as fortificações espalhados pela Europa. As suas guildas medievais (associações) se comparam aos sindicatos modernos ou as cooperativas de trabalho, pois protegiam os interesses dos artistas construtores.

Maçonaria Especulativa preservou todas as  tradições culturais da Maçonaria Operativa, como os deveres dos associados, os regulamentos, os rituais, os simbolismos e, principalmente, o  sentimento de solidariedade e fraternidade, mesmo tendo propósitos distintos.

A admissão de um novo membro (aprendiz) em uma Loja operativa todos seus membros (obreiros). Era realizada à noite e constava de um ritual durante o qual era exposta ao aprendiz a história e importância da arte da construção, salientado o privilégio que era para ele ser admitido, e explicado o que dele se esperava. Com a progressão do artesão pedreiro lhe era transmitido o conhecimento tecnológico, os ensinamentos históricos, religiosos, mitológicos e morais.

O incentivo e a educação dos pedreiros mostrando sua importância, pois eram Mestres da Geometria, eram dados através da leitura das “old charges”, episódios retirados da bíblia, da História, da lenda ou do imaginário e descreviam a importância, ascendência e grandes feitos dos construtores ao longo dos tempos, constituindo-se em verdadeiros rituais.

Antes dos documentos “old charges” (Antigos Deveres) existem crônicas anglosaxônicas iniciadas no século IX pelo Rei Alfredo, avô de Athelstan, os quais documentam a antiguidade da maçonaria. Isto deixa clara a relação entre o surgimento da Maçonaria Operativa e o início do Reino Unido da Inglaterra ao final do Século IX e início do século X.

Por sua vez o Rei Athelstan, mesmo não sendo um Rei de projeção histórica, segundo Aslan (Nicola Aslan. A Maçonaria Operativa) regulamenta a atividade da maçonaria. São desta época o Manuscrito Régio, o príncipe Edwin, a Grande Assembleia de Maçons, e a Lenda de York (Ambrósio Peters. O manuscrito Régio e o Livro das Constituições). Assim, a história da primeira regulamentação das guildas dos maçons no reinado de Athelstan tem bases históricas seguras (Mário Curtis Giordani. História do Mundo Feudal). Os Antigos Deveres da época de Athelstan foram a base para a elaboração do Regulamento Geral e dos Deveres de um Maçom, as partes mais importantes do Livro das  Constituições da Grande Loja de Londres, oficializado em janeiro de 1723.

É William Schaw, funcionário da Coroa na Escócia do século XVI, que cumpre a tarefa de regular o funcionamento das lojas maçônicas que, até então, eram completamente autônomas. Escreve ele dois textos conhecidos pelos “Estatutos de Schaw”, que são aprovados pela Coroa da Escócia (1598 e 1599) e, pela primeira vez, organizavam os pedreiros escoceses em entidades chamadas “lojas” e os sujeitavam a obrigações administrativas, como o pagamento de uma jóia para admissão nas lojas, a formalização da estrutura das reuniões, e a obrigatoriedade de existir um secretário que registrasse o sucedido em todas as reuniões (o balaústre moderno), fato comprovado pelos registros de mais de 400 anos da “Marys Chapel Lodge”. Os Estatutos também se referem a um sistema mnemônico, para memorização dos cálculos e tarefas, uma vez que a maioria dos pedreiros era formada por analfabetos. O sistema era baseado na visualização mental de um edifício com várias divisões, cada uma com vários objetos, cada um dos quais se associava à idéia que se pretendia recordar, ao caminhar mentalmente pelo edifício evocando os símbolos em sucessão. Vêm daí as “tracing boards” (tábuas de traçar) ainda hoje usadas em Loja. Além disso, Shaw formalizou e regulamentou o uso de senhas e sinais secretos, costumes entre os pedreiros. De acordo com o nível de conhecimento que um maçon obtinha, à medida que progredia na arte, era informado de certas palavras ou certos sinais de reconhecimento. Schaw também tonou obrigatório o costume de proibir um Mestre dar trabalho a um operário a não ser que este lhe desse a “senha” (a palavra e/ou sinal) que atestasse sua capacidade a fazer determinado tipo de trabalho.

Os maçons antigos gozaram de prestígio quase ilimitado até a dinastia dos Tudor (Encyclopedia Britannica e Chambers’s Encyclopedia), quando os pedreiros começaram a perder relevância em virtude do início do uso do tijolo, muito mais barato do que a pedra, que foi progressivamente abandonada e usada somente nas partes mais nobres dos edifícios. No início do século XVII já não havia em Londres lojas operativas em funcionamento. Foi graças a admissão dos “gentlemen masons” (maçons aceitos, não pedreiros) que a maçonaria não foi extinta. Na medida que o número de maçons “aceitos” crescia o funcionamento e o propósito das Lojas mudava. Com a impossibilidade da construção de edifícios de pedra, os maçons passam a construir templos simbólicos para si em que cada um aparava e polia as suas próprias asperezas de caráter no sentido de se tornar uma pessoa melhor. Enquanto se extinguia a Maçonaria Operativa, ia surgindo em seu lugar a Maçonaria Especulativa, assim ela chega aos nossos dias ainda utilizando as regras morais da maçonaria operativa, seus símbolos e instrumentos de trabalho, com significados modernos, mas preservando os princípios originais de lealdade e fraternidade, possibilitando o desenvolvimento de um homem melhor para um mundo melhor.

Honório Sampaio Menezes, 33º, REAA, Loja Baden-Powell 185, GLMERGS, Porto Alegre, RS, Brasil

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